A Polícia Federal realizou nesse domingo (12) uma operação por suspeitas de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva em 13 estados. Chamada de operação Passe Fácil, a ação englobou Pernambuco, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A operação tenta desvendar e desarticular esquema de candidatos interessados em fraudar o processo a partir da resolução da prova por especialistas em determinadas áreas de conhecimento, chamados de pilotos, que posteriormente repassavam os gabaritos aos candidatos que os contrataram. Segundo o delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni, a ação dá mais credibilidade e transparência ao Enem.

“O papel da Polícia Federal e de todos os órgãos envolvidos, a gente não pode falar só de Polícia Federal, a gente tem que falar de todos aqueles que estão nos CCIRS, nos Centros de Comando e Controle Regionais, que exercem um trabalho diuturno, durante o ano todo, não só durante os dias do certame para garantir a lisura. É basicamente para garantir a lisura do certame, garantir o acesso isonômico ao ensino superior”.

O especialista em educação e diretor executivo da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), José Sebastião Filho, acredita que a melhor forma de combate às fraudes no processo do Enem é a punição aos envolvidos, principalmente de candidatos que foram beneficiados.

“Aquelas pessoas que pagaram ou que fizeram acesso a essas “facilidades” que foram disponibilizadas através da venda, de trocas ou de conchavos, elas estão sendo identificadas e algumas universidades, inclusive, estão desligando aqueles estudantes, principalmente de cursos que são bem concorridos atualmente, a exemplo de medicina, que entrarão na instituição com uma nota falsa, adquirida através justamente desses meio ilícitos. Então, de certa forma, a punição pode demorar um pouco, mas chega”.

Desde 2016, o Ministério da Educação (MEC), o Inep e a Polícia Federal atuam juntos para combater a ação de criminosos e garantir a isonomia entre os participantes. Para o ministro da Educação Mendonça Filho, o anúncio de novas medidas de segurança, como a identificação das provas e o reforço com detectores de metal e de ponto eletrônico em cada local de aplicação, ajudaram a prevenir fraudes. Na última quarta (8), quatro pessoas foram presas no Ceará, na operação Adinamia, da Polícia Federal, também por suspeitas de fraudes em concursos públicos e no Enem.

Reportagem, Tácido Rodrigues