Com o título “O foro dos desprivilegiados”, eis artigo do professor Pedro Henrique Antero e que pode ser conferido no O POVO desta quinta-feira. Ele critica abusos e privilégios alcançados pela turma do colarinho branco e vê certa luz no fim do túnel via STF. Confira:

É impossível ficar calado diante de tanto abuso e de tanto privilégio de ladrões do dinheiro público, sem que sejam imediatamente punidos. Se alguém é flagrado no roubo de uma peça de roupa íntima, no furto de uma galinha ou de qualquer outro objeto exposto à venda, ele é levado imediatamente à Polícia. Esse é o foro dos desprivilegiados que, infelizmente, votam e elegem os privilegiados da República.

É inadmissível que se queira amadurecer a democracia brasileira, se graduados da República continuam a se opor ao fim do foro privilegiado no Brasil. Felizmente, já há sinais no STF de que o “status quo” desse dispositivo legal, que só beneficia o crime oficial, terá um fim próximo. Foi necessária a pressão popular, pelos meios de comunicação, para que os privilegiados entendessem que a democracia caminhava para um desfecho indesejável.

Não importa se o instituto do privilégio é histórico e anterior à República. Se esse argumento fosse válido, o regime da escravidão estaria vigorando até os dias de hoje. O que mais importa é que os erros do foro privilegiado sejam radicalmente corrigidos ou o foro seja simplesmente extinto. O que não pode acontecer é que um Temer, um Lula, uma Dilma, um Aécio Neves e muitos outros permaneçam impunes e continuem até mesmo na vida pública.

Os privilégios dos poderosos não se limitam ao foro. Eles se estendem ao mundo dos salários, das gratificações e das ajudas de custo. Juízes, membros do Ministério Público, Parlamentares e outros servidores públicos chegam a perceber remunerações que ultrapassam o teto estabelecido pela Constituição. Daí um estímulo à crescente discrepância entre ricos e pobres e entre aposentados do serviço público e os pertencentes ao regime do INSS.

A hora do Brasil parece ter chegado. Para que isso aconteça, porém, será necessário que o povo deixe de lado os corruptos já nomeados e aqueles já condenados pela Justiça. Moro faz um trabalho de gigante, embora alguns, travestidos de “juristas”, lutem pela continuidade da bandidagem.