Ambulâncias do Samu entregues em dezembro pelo ministro da Saúde na Baixada Santista, em São Paulo (Foto: Raimundo Rosa, Prefeitura de Santos)

Deputados federais da base do presidente Michel Temer ouvidos nesta semana pelo G1afirmaram que o governo premiará parlamentares fiéis nas votações da Câmara em 2017 com a possibilidade de indicar prefeituras que receberão recursos para compra de ambulâncias e equipamentos odontológicos.

Segundo esses deputados, quem votou contra o governo não terá indicações atendidas.

Em nota, o Ministério da Saúde negou e disse que a distribuição dos equipamentos “obedece a critérios técnicos”, sem relação com as votações na Câmara.

“Os recursos para o plano de distribuição dos equipamentos foram autorizados pelo PLN 33/2017, que foi apresentado ao Congresso Nacional em 15 de outubro e aprovado em 30 de novembro do ano passado, ou seja, não há relação com o calendário de votações do Legislativo”, afirmou a pasta.

Em dezembro, o ministério liberou dinheiro para a aquisição de 6,5 mil ambulâncias, 10 mil equipamentos odontológicos e mil vans destinadas ao transporte de pacientes para tratamentos não emergenciais.

Ao todo, informou a pasta, o governo vai desembolsar R$ 960 milhões. Os preços por unidade são os seguintes, segundo o ministério:

  • Ambulância: R$ 80 mil
  • Consultório odontológico: R$ 25 mil
  • Van de transporte sanitário eletivo: R$ 190 mil

A portaria que liberou os recursos, publicada em 12 de dezembro, determina que os municípios e estados interessados em obter a verba para financiar a compra dos veículos e equipamentos deverão fazer a solicitação dos itens por meio de um sistema do Ministério da Saúde chamado e-Gestor.

Embora qualquer prefeitura possa fazer a solicitação, deputados ouvidos pela reportagem afirmam que só serão contemplados os pedidos de municípios indicados por parlamentares que votaram com o Planalto no ano passado.

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos vice-líderes do governo na Câmara, afirmou que o critério será a fidelidade demonstrada pelo parlamentar.

“É governo ou não é governo? É governo? Recebe. Não é governo? Não recebe. Foi fiel? Recebe. Não foi fiel? Não recebe” , afirmou Perondi.