Para tentar barrar na CCJ a acusação dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça, o presidente Michel Temer tem se articulado e mantido conversas constantes com ministros e parlamentares. Vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal(PMDB-RS) foi um dos aliados que participou da reunião convocada pelo presidente neste domingo (8), no Palácio do Jaburu. Segundo o parlamentar, a conversa teve como foco contabilizar os votos para barrar a segunda denúncia contra Temer.

Perondi projeta que, após a leitura do parecer nesta terça-feira (10), a votação do relatório na CCJ deva ocorrer na próxima semana, provavelmente no dia 17 ou 18. Ainda segundo o parlamentar, a expectativa é que haja votação no plenário da Câmara no próximo dia 24, caso a denúncia não seja barrada. O deputado ressalta que o Brasil tem pressa para que se decida sobre as acusações, que classificou como “farsa”.

“Essa denúncia é uma gigantesca conspiração do ex-procurador Janot e alguns procuradores com esses dois empresários mais odiados pelo país. Eu estudei no fim de semana, li 200 páginas, não tem fundamento, não tem nexo com a realidade, é uma história de fantasia”.

Sobre a liberação de emendas parlamentares impositivas para deputados da base aliada, o porta-voz do governo na Câmara rebateu as acusações da oposição de que esteja havendo compra de votos para barrar a denúncia na CCJ.

“Está na Constituição, está na Lei Orçamentária. Se a oposição está falando o contrário, que a oposição devolva todas as emendas que o governo Michel empenhou durante a primeira denúncia, devolva todas”.

As emendas parlamentares impositivas são usualmente destinadas a pequenas obras nas bases eleitorais dos deputados, tanto da base quanto da oposição. Na Comissão de Constituição e Justiça, primeira instância de tramitação, o governo espera que a denúncia não avance.

De acordo com a denúncia apresentada por Janot, Temer teria participado de um suposto esquema de corrupção ao lado de integrantes do grupo chamado “PMDB da Câmara”, formado por Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Segundo o ex-procurador, juntos, eles praticavam ações ilícitas em troca de propina através de diversos órgãos públicos, como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. Temer seria o líder da organização criminosa desde maio de 2016.

Reportagem, Tácido Rodrigues