O início da debandada tucana com a saída de Bruno Araújo do Ministério das Cidades deve acelerar a reforma ministerial do governo Temer. Em conversa com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, do PMDB do Ceará, ainda no domingo, o presidente da República informou que trocará integrantes do primeiro escalão este ano. A intenção, que já vinha sendo sinalizada, se fará necessária se o PSDB confirmar sua saída integral do governo até 9 de dezembro. Nesta data, o partido elege em convenção seu novo presidente nacional.

Terceira maior bancada na Câmara, com 46 deputados, e segunda do Senado, com 11 senadores, o PSDB vinha sendo o principal aliado do governo no Congresso. Ainda que, efetivamente, votasse dividido com o Planalto – como na denúncia de investigação contra Temer. Durante convenção estadual, em Belo Horizonte, nesse final de semana, o presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves, de Minas, adiantou que vem chegando a hora de deixar o governo. Aécio sempre foi um entusiasta da permanência na Esplanada, onde o PSDB ocupa três ministérios e uma secretaria.

Diante disso, Temer teve que acelerar seus planos de mudança. Os tucanos, então, teriam pedido ao presidente para aguardar as cartas de demissão, a fim de evitarem e serem obrigados as deixar a Esplanada pelas portas dos fundos – ou seja, demitidos.

O presidente Temer também aproveitará a reforma ministerial para contemplar outros partidos da base em seu governo. A abertura de novos cargos é a aposta do Planalto para se fortalecer no Congresso. Principalmente na Câmara. O governo prepara uma ofensiva para levar adiante a votação da reforma da Previdência. Ainda que enxuta.

A estratégia será pegar em pontos de consenso e tentar a aprovação da matéria sob o discurso de equiparação de desigualdades e promover cortes nos benefícios do funcionalismo público. Uma das equipes de comunicação que atendem o Palácio já está sendo acionada para preparar uma campanha. O Palácio ainda não definiu data para troca de ministros.

De Brasília, Hédio Júnior