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Hospitais secundários estão fazendo partos de alto risco
HOSPITAIS SEM ESTRUTURA ADEQUADA
A superlotação na rede terciária de saúde no setor de obstetrícia e neonatologia impôs aos hospitais secundários a tarefa de atender casos de gravidez delicados e de bebês que necessitam de UTI neonatal. Exemplos disso são o Nossa Senhora da Conceição, no Conjunto Ceará, e o Hospital Distrital Gonzaga Mota (Gonzaguinha) de Messejana. Com a imposição, eles cumprem mais uma tarefa: a de realizar partos de alto risco. Procedimento de responsabilidade das unidades terciárias, como a Maternidade Escola Assis Chateubriand e o Hospital César Cals.
O Nossa Senhora da Conceição, por exemplo, está preparado para realizar partos de mulheres sem problemas de saúde. A média de procedimentos chega a 300 partos por mês. No entanto, mulheres com menos de 37 semanas de gravidez, o que indica prematuridade e, conseqüentemente, a necessidade de atendimento mais especializado e leito de UTI neonatal para a criança, vêm sendo atendidas pelo hospital.
Enquanto a reportagem conversava com a diretora do hospital, a médica Auriléia Carvalho, houve um procedimento de urgência: uma jovem de 16 anos teve um bebê de apenas 870 gramas de peso. Auriléia tentou disfarçar, no entanto, a correria no hospital confirmou o fato e ela não teve como negar. O problema era como equipar da melhor forma possível um leito de médio risco (a instituição tem dez ao total) com respirador artificial para receber a criança. A médica acionou a Central de Regulação de Leitos do Município e pediu prioridade.
Missão das mais difíceis, já que os 109 leitos de UTI neonatal estão ocupados. O Gonzaguinha de Messejana, que possui dez leitos, na manhã de ontem, mantinha a lotação. Enquanto a vaga na própria unidade não aparece, os obstetras tentam, por meio de medicamentos, "segurar" o trabalho de parto de mais três mulheres internadas. Todas com gravidez de risco. "Os extras que temos irão para os bebês que irão nascer aqui e não temos como transferir", explica a diretora técnica do Gonzaguinha, Ineida Sales. Lá, são 450 partos por mês. "A demanda é grande e fazemos das tripas coração para atender".
O Hospital Geral Valdemar de Alcântara também está no seu limite. São oito leitos de UTI neonatal e 16 de média complexidade. A coordenadora do setor, Carmem Suliano, diz que a instituição recebe os casos mais graves. "O Centro de Neonatologia trabalha com capacidade máxima quase sempre".
Uma questão alertada pela especialista foi a maneira como os bebês são transportados. Normalmente, eles chegam em ambulâncias do Interior ou pelas unidades do Samu e necessitam, muito mais do que o adulto, de cuidados redobrados. "Já recebemos bebê dentro de uma cesta ou casos em que, durante a viagem, faltou oxigênio.
NO CEARÁ
A cada mil nascidos, 25 bebês morrem
A cada 1.000 nascimentos no Ceará, morrem 25 bebês antes de completar o primeiro ano de vida. Esta taxa sobe para 68,8% em bebês prematuros, com peso abaixo de um quilo. Os dados são de estudo realizado pela Faculdade de Medicina em unidades neonatais nos nove estados do Nordeste.
Reduzir a mortalidade neonatal nas regiões Norte e Nordeste ainda é um desafio para o Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que a mortalidade neonatal nestas duas regiões é 40% maior do que no Sul e no Sudeste do País. Problemas associados à gravidez, ao parto e à disponibilidade e qualidade da atenção médica perinatal, que diz respeito ao períodos imediatamente anterior e posterior ao parto, são apontadas como as principais causas desse cenário.
Para implementar estratégias para reduzir esses índices, através de análises, estudos e intervenções, o Ministério da Saúde criou em 2006 a Rede Norte-Nordeste de Saúde Perinatal, cuja coordenador é o professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Álvaro Madeiro Leite.
Conforme ele, a superlotação de unidades de terapia intensiva (UTI) é um fenômeno que acontece de tempos em tempos. Para ele, há de fato um número reduzido de leitos de terapia intensiva neonatal, mas aponta que a questão da qualidade do pré-natal e a assistência ao parto são consideradas fundamentais para reduzir os índices de mortalidade.
Esta situação se deve porque, segundo Madeiro Leite, muitas vezes, a grávida faz o pré-natal, mas não existe qualidade, até pela falta de exames.
FATORES DE RISCO
IDADE menores de 17 anos correm o risco de pré-eclâmpsia ou eclampsia, darem à luz a crianças abaixo do peso e prematuras. Maior que 35 anos têm risco mais elevado de desenvolver diabetes e hipertensão associadas à gravidez e miomas uterinos
ALTURA mulheres com menos de 1,45m têm mais chances de atraso no crescimento intra-uterino e desproporção pélvico-fetal
PESO menos que 45 quilos: aumentam os ricos de dar à luz a crianças de baixo peso. Muito obesas: aumentam-se os riscos de contraírem diabetes e hipertensão associadas à gestação
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