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Governo do Estado deve investir pelo menos R$ 2,5 milhões em combate a óleo na costa do Ceará

01/11/2019 ás 06:58:55

Editais para desenvolvimento, produção e implementação de estratégias de combate e prevenção de óleo na costa cearense devem ser lançados em novembro. Conforme Inácio Arruda, secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado (Secitece), o valor do investimento deve ser de, pelo menos, R$ 2,5 milhões, o mesmo montante investido pelo estado de Pernambuco.

O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira, 31, em encontro da comunidade científica, na sede do Instituto de Ciências do Mar (Labomar). No evento, foram apresentados estudos e pesquisas cujos produtos podem ajudar a mitigar e prevenir os efeitos do vazamento de óleo nas praias e estuários do Nordeste.

“O Ceará tem estrutura de dar resposta, em tecnologia, saúde e meio-ambiente. As universidades estadual, federal, Unifor e os Institutos Federais (IFCE) têm conjuntos de laboratórios e pesquisadores competentes. O que se precisa é de insumo e suporte para esse trabalho, como análises de animais, água e solo”, defende Inácio.

O titular da Secitece sugere que uma rede seja montada para colaboração da comunidade científica e os editais, com resposta a médio prazo, podem viabilizar produtos de pesquisa para aplicação na contenção de óleo e monitoramento de manchas no mar, por exemplo. “Não podemos esperar um próximo acidente. Se a gente fosse depender do Governo Federal, estaríamos fazendo praticamente nada”, completa o gestor, exemplificando os equipamentos solicitados. De 1.000 bigbags solicitadas – sacos flexíveis usados para remoção de resíduos oleados -, foram enviadas 50.

Diretor de inovação tecnológica do Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará, João César de Freitas Pinheiro, concorda que o valor de R$ 2,5 milhões seja o mínimo ideal para as ações. “Estamos preparando projeto que diz respeito à segurança alimentar e economia do Turismo. Vamos atuar junto a pesquisadores de várias áreas e colocar isso em cronograma de curto, médio e longo prazo. Doenças podem surgir daqui a muitos anos e temos que atuar minimizando riscos a saúde”, exemplifica.

Impactos na fauna
Sobre a extensão revertida do período de defeso da lagosta e camarão no Nordeste, o secretário Artur Bruno declarou que foi, “no mínimo irresponsável mudar decisão de um dia para o outro”. Nesta quarta, 31, o Ministério da Agricultura recuou e liberou a pesca a partir de 1.º de novembro, um dia após anunciar o veto à atividade.

No Ceará, subiu para 4 toneladas a quantidade de óleo e resíduos oleados recolhidos na costa do Ceará. O material seguiu para coprocessamento na indústria de cimentos. No período, foram atingidos 10 municípios.

Das 59 tartarugas coletadas no período, 51 estavam mortas. Catorze delas, oleadas. Conforme o professor de Oceanografia do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da UFC, Luis Ernesto Arruda, desde os plânctons, que produzem oxigênio, são prejudicados com o desastre no oceano. “No Ceará, o óleo está chegando em menor quantidade. Mesmo assim, o impacto à cadeia trófica pode ser percebido em longo prazo. Espécies pescadas podem ter número reduzido, porque larvas e ovos sofrem efeitos. Já espécies maiores, como botos, golfinhos, tartarugas e tubarões, podem ter população ainda mais reduzida. Algumas estão ameaçadas de extinção”, resume.

O Povo

 

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