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Festa no humor. Valéria Vitoriano completa 30 anos como Rossicléa

09/04/2018 às 10:33:02

Entrevistar Valéria Vitoriano, 47, é deparar-se, em tal hora, com o escracho acanalhado de Rossicléa. Deboche em pessoa, tradução da mais pura molecagem cearense, a personagem – surgida, inicialmente, a partir da voz (durante brincadeira de amigos e, posteriormente, nas rádio locais) – no entanto, tem hora certa para acontecer: durante as pinceladas precisas de sombra e batom, no camarim, à espera de mais uma apresentação noturna.

Numa mistura de estilos que remetia, inicialmente, à popstar Madonna (sobrancelhas) e à clássica Viúva Porcina (de figurino espalhafatoso), além de todo o universo drag, cerca de 30 minutos já são suficientes para que Valéria torne-se, enfim, a “plus size, básica, gostosa, aditivada” Rossicléa. De corpo, mas muito mais de alma. “Percebi, ao longo desse tempo, que ela é muito mais dentro de mim do que fora. Por isso, junto com a minha atual equipe, resolvemos dar a ela uma cara mais leve”, explica, em relação às mudanças ocorridas desde que adentrou no mundo da internet.

O “casamento” de Valéria com a personagem celebra Bodas de Pérola agora em 2018; o dia 14 de agosto de 1988 é que determina esse marco, tendo como palco o Estoril ao lado da prima em 1º grau e também humorista Karla Karenina (Meirinha). De lá para cá, muitas, inúmeras histórias. “Pra fazer a Rossicléa, eu precisava escolher um lugar pra ela. Eu sou daqui de Fortaleza, mas ela precisava ser do interior, precisava ter uma história bem amarrada e a minha grande inspiração foram as empregadas da casa da minha avó”, relembra a humorista, filha de Iemanjá e também mãe de dois filhos (de 17 e 23 anos).

Egressa do Colégio da Imaculada Conceição, Valéria – filha única de pai auditor fiscal e maçom, e mãe dona de casa – sempre teve a verve moleca. “Fazia umas gravações, durante a madrugada, num programa de rádio que só quem ouvia eram os vigias de prédio, os porteiros, esse povo que trabalha à noite. Quando era no outro dia, levava as fitas K7 para mostrar às minhas colegas de turma, isso com 17 anos. Mas foi a partir desse show no Estoril, que eu vi as pessoas rindo, e disse: é isso que eu quero pra minha vida!”. O agitador cultural Pedro Carlos Álvares teve sua parcela de “culpa”.

Não sei se eu saberia fazer outra coisa. A personagem gritou dentro de mim” (VALÉRIA VITORIANO humorista)

“Ele foi a primeira pessoa que, praticamente, apostou em mim e fez, inclusive, cartas de recomendação para alguns lugares, como o Pirata Bar e a barraca Subindo ao Céu”. A partir daí, Rossicléa foi ganhando visibilidade e levando seu humor a centros e diretórios acadêmicos de faculdades e calouradas, até ser premiada com o 2º lugar em um festival brega. “Aí eu vi que a coisa estava fluindo”, afirma a artista, que estreou na TV pela extinta Manchete com o programa Rossicléa Vai , que batia recordes de audiência. Os shows de humor em pizzarias, na década de 1990, reforçaram a popularidade da cearense.

“Quando o jornal O POVO noticiou o boom do humor, deu capa e tal, a gente notou que realmente havia um mercado para o humor. Nós éramos a ‘música ao vivo’ dos anos 1990 e, na época, havia muitas casas de humor, muitas mesmo, mais de 40”, relembra. Há 17 anos, Valéria Vitoriano é artista exclusiva da Lupus Bier (Praia de Iracema), onde também responde pela produção dos shows que acontecem em quatro dias da semana. Lá, o time de humoristas da casa é reforçado pelas presenças de Adamastor, Alex Nogueira, Augusto Bonequeiro, Járdeson Cavalcante (Titela), LC Galetto, a dupla Paçoca & Fubá, Moisés Loureiro, Superedson & Ruanito e Ery Soares, que levam ao público estilos variados do humor.

Especificamente em relação a seu show, Rossicléa tem como ponto de partida e termômetro a interação com o público a partir de abordagens do próprio cotidiano. Como defini-lo? “Eu sigo o meu bom senso, por ser um trabalho a partir das minhas experiências. O que me dá mais tesão é mexer com a plateia, mas nunca para denegri-la ou tirar sarro com algum defeito ou coisas assim desse tipo”, frisou a humorista que, por conta do visual da personagem, ainda é por vezes confundida com homem. “Até hoje acontece muito! ”.

E quanto ao preconceito por ser mulher e humorista, existiu em algum momento nesses 30 anos de estrada? “Bom… Se a gente for considerar só pelo fato de ser mulher, a gente sofre desde quando nasce, né? Mas eu nunca usei isso para para pensar quantos degraus faltavam pra eu chegar em determinado momento, entende? Tem muita gente que usa o nosso nome para se aproveitar. Eu me dou ao luxo de me produzir e ter minha equipe”, justificou Valéria.

O atual cenário do humor, para ela, também sofreu modificações. “Hoje a gente percebe uma renovação do público. Aqui, o cearense traz muito seus filhos e netos para nos assistir. Fora que o cearense se dá bem em todos os estilos de humor, por que não nos stand ups?”. Da nova geração, cita nomes femininos como Dinah Moraes e Solange Teixeira. Nas horas vagas, sempre de cara limpa, possui várias paixões: viajar, fotografar, tatuar-se e, mais recentemente, costurar.

Entre altos e baixos, a certeza de que sempre esteve no caminho certo. “Não sei se eu saberia fazer outra coisa. A personagem gritou dentro de mim, sabe? Já passei por muita coisa na minha vida e, se não fosse a Rossicléa, eu não sei o que seria. Já cheguei aqui (no camarim) chorando, me maquiando aos prantos, mas é só subir no palco, pronto… Muda tudo! E não tem justificativa. Pra mim, palco é cura!”.

Humor no palco e nas plataformas digitais

Hoje em dia, Rossicléa não resume-se a uma personagem que se apresenta pelo País afora. Com dois discos na praça, a personagem – cujo visual tornou-se bem mais clean com a assinatura de Yuri Yamamoto -se desdobra numa equipe bem afiada de quase dez pessoas (direção de Andrey Ohama), e que espalha-se na internet.

No YouTube e Facebook, Valéria Vitoriano possui o canal Rossicléa – Aí Dento no qual divide o texto com Ricardo Diamante e Járdeson Cavalcante, além deoutros nomes variados da cena local com entrevistas e esquetes bem-humorados, alguns a bordo do badalado veículo chamado ‘Kombicléa’, além de outros nos quadros batizados de No Mêi do Mundo e Rossinanny Responde.

Rossicléa e convidados

Quando: terças, quintas, sextas e sábados, às 21h30

Onde: Lupus Bier (Rua dos Tabajaras, 340 – Praia de Iracema)

Quanto: R$ 45,90 (inclui buffet self-service + show)

Info: (85) 3219 2829

Rossicléa na internet

YouTube: goo.gl/cjchkr

Facebook: www.facebook.com/rossiclea

Instagram: www.instagram.com/rossiclea

Twitter: www.twitter.com/rossiclea

O Povo

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