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Empresas estrangeiras investem US$ 235 milhões no Ceará

10/10/2018 às 21:05:53

A recuperação da recessão ainda não veio, e as perspectivas de melhora na economia ainda devem esperar o próximo mandato do Executivo nacional. Nessa perspectiva de baixo potencial de investimento local e incerteza na tomada de crédito, o Ceará vem trabalhando para gerar um pacote de incentivos e atrair investimentos estrangeiros ao Estado, focado em criar um ambiente propício de desenvolvimento para quem busca investir aqui. E os resultados já podem ser vistos em relação ao passado.

Em 2017, o Ceará registrou o maior índice de investimentos feitos por empresas estrangeiras desde 2011, alcançando o montante de US$ 235,804 milhões. Os dados são do projeto Ceará Global, ligado à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).

O levantamento ainda aponta que, em 2011, o valor investido por empresas de fora do País chegaram ao patamar de US$ 604,834 milhões. No acumulado, os estrangeiros investiram aproximadamente, entre 1960 e 2017, US$ 4,44 bilhões no Ceará.

Entre os principais países investidores, a Coreia do Sul, apesar de não ter um número elevado de empresas, é o que mais se destaca no montante aplicado no Estado, somando US$ 1,2 bilhão. Grande parte do valor aplicado, cerca de US$ 907 milhões, chegaram em 2008. Ponto relevante também é o fato de que, em 2017, 91,51% dos investimentos foram feitos por 10 empresas alemãs, somando um total de US$ 215,798 milhões.

De acordo com César Ribeiro, secretário de desenvolvimento econômico do Estado, o Governo vem trabalhando para criar o melhor ambiente possível para que as empresas estrangeiras possam se instalar, permanecer e gerar impacto direto na economia local ao gerar emprego e renda. Além do pacote de incentivos fiscais, que vão desde a desoneração para importação de máquinas até a redução ou isenção do ICMS, Ribeiro destacou o trabalho de evolução estrutural cearense, com a implantação do Porto do Pecém, da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, e da instalação do hub aéreo da Air France/KLM e Gol.

“O governo está sempre atrás de parcerias, não de negócios pontuais. A gente tinha a noção de que incentivos fiscais era o único ponto importante para atrair investidores, mas existem outros pontos, como a educação e a qualificação de mão de obra, da segurança fiscal, e tem também a questão da transparência dos gastos do governo. Tudo isso faz parte da nossa intenção de criar uma ambiência para esses investimentos aqui no Estado”, explicou Ribeiro.

Retorno

Esses esforços têm feito com que empresários de pelo menos 27 países investissem em negócios no Ceará. Os dados do Ceará Global apontam 3.932 empresas estrangeiras e 4.593 investidores. Entre os países com maior entrada aqui, estão Portugal, com 806 empresas e US$ 839,906 milhões investidos; Alemanha, com 123 empresas, e US$ 465,597 milhões; e Espanha, com 311 empresas e US$ 309,859 milhões. Com quase US$ 250 milhões aportados, a Itália, também pela herança histórica, acabou construindo uma das maiores relações de negócios. Ao todo, são 921 empresas com capital italiano instaladas no Ceará.

Paulo Eduardo Magnani, presidente da Câmara de Comércio Ítalo-brasileira Nordeste, destacou que dois pontos são fundamentais para que os empresários estrangeiros despertem interesse no Ceará: a infraestrutura facilitadora de exportação, como portos e ZPE, e a sanidade fiscal do Estado em tempos de crise.

“A realidade do ceará é um ponto fora da curva pela boa administração e a sanidade fiscal e, hoje, existe um trabalho de divulgação do Ceará para outros mercados que é muito forte”, explicou. “Nós temos todo tipo de empreendedor italiano no Estado. A Enel é um grupo italiano, então temos desde os maiores grupos até os micros, pequenos e médios empresários”, disse.

Setores

Contudo, não são apenas os italianos que têm interesses em áreas diversas para investir no Estado. Em 2017, os dados do Ceará Global apontam sete setores recebendo investimentos estrangeiros. O maior destaque ficou para o setor de serviços, que acumulou US$ 214,953 milhões. Comércio (US$ 18,069 milhões), imóveis (US$ 2,114 milhões), turismo (US$ 259,611 mil) e indústria (US$ 225,913 mil) vem logo em seguida no ranking.

No cenário geral, o comércio foi o setor com maior volume de recursos recebidos, acumulando 39% dos US$ 4,44 bilhões que entraram no Ceará. Do restante do valor, 29% foi destinado a investimentos na indústria; 16% para os serviços; e 7% foi aplicado no mercado imobiliário local.

Estratégia

Segundo o economista e consultor internacional Alcântara Macedo, a atração de investimentos estrangeiros pode funcionar como estratégia para contornar o momento de crise econômica atual. Com as incertezas do mercado ainda aguardando o fim do pleito eleitoral, Macêdo acredita que é praticamente impossível reverter as barreiras impostas ao consumo no Brasil e a dificuldade da tomada de crédito, que vem atrapalhando investimentos. Mas as iniciativas governamentais deverão estar focadas em pontos de potencial elevado de desenvolvimento para o mercado local para que haja o retorno dos investimentos.

“Se investir no turismo a chance de gerar emprego é muito forte, mas se investir na agropecuária o impacto não será tão grande pela característica do nosso mercado. Precisamos atrair esses investidores que já tem capital para o Ceará, mas isso tem de ser feito a partir do estudo de setores potenciais. Mas acredito que temos feito um bom trabalho, e além disso, as particularidades naturais e estruturais do Ceará são outro bom destaque”, disse Macêdo.

Destaque em 2017

Dados do projeto Ceará Global apontam sete setores recebendo investimentos estrangeiros no ano passado. O setor de serviços foi o mais favorecido, recebendo US$ 214,953 milhões. Comércio (US$ 18,069 milhões), imóveis (US$ 2,114 milhões), turismo (US$ 259,611 mil) e indústria (US$ 225,913 mil) vêm logo em seguida no ranking

Histórico por setor

Segundo o levantamento , no cenário geral, o comércio foi o setor com maior volume de investimentos, somando pouco mais de 39% dos US$ 4,44 bilhões que entraram no Estado. Do valor restante, 29% ficou para a indústria; 16% para os serviços; e 7% foram aplicados no mercado imobiliário.

Fonte: Diário do Nordeste

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