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Empresa quer investir 700 milhões de euros em parque offshore no Ceará

25/12/2018 às 22:13:46

Aprovado pelo Senado, o projeto que regulamenta o aproveitamento da energia dos ventos no mar a partir de usinas eólicas offshore já tem previsão de impacto direto na economia do Ceará.

Dos três projetos em desenvolvimento no Brasil hoje, um visa ao litoral de Caucaia e poderá trazer um investimento de 700 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões) caso o Governo Federal execute um leilão específico para esta modalidade de geração de energia.

A perspectiva foi confirmada por Lúcio Bonfim, sócio da BI Energia, empresa que conta com capital estrangeiro da Itália para operar neste setor ainda não explorado no Brasil. 

Mesmo com o título de terceiro maior produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará terá avanços caso o projeto seja aprovado em todas as instâncias.

A medida, que ainda deverá passar pela Câmara dos Deputados, possibilitaria uma elevação do aproveitamento da produção eólica, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Isso porque as condições em alto-mar são consideravelmente melhores para a geração de energia.

Segundo Lúcio Bonfim, os parques eólicos offshore têm taxa de eficiência de produtividade acima de 60% do total da capacidade, enquanto usinas instaladas em terra não passam de 45% de aproveitamento.

Essa questão, na verdade, não teria sido nem o foco da análise de viabilidade para o projeto que pode ser implantado em Caucaia. A dúvida seria quanto à taxa do retorno de investimento, que teria plenas condições de sucesso, segundo estudos da companhia. 

“O custo para desenvolvimento da tecnologia para parques offshore ainda é grande, mas a capacidade de ventos do mar é bem maior do que nos onshore. Os investimentos também são maiores, mas o que importa é saber se teríamos retorno do nosso investimento e, pelo estudo, nosso retorno seria muito bom”, explicou Bonfim.

Para o executivo, as condições geográficas do Estado ainda possibilitariam um potencial superior ao registrado nos parques offshore instalados na Europa, onde o segmento já está consolidado devido à baixa oferta de terra.

Nas faixas de implantação determinadas pelo texto aprovado no Senado (entre 22 e 370 quilômetros da costa), a profundidade registrada no Ceará seria mais propícia a esse tipo de investimento comparado aos mares no Velho Continente.

“Aqui, a profundidade dos parques offshore seria de até 17, 18 metros, então já seria mais barato em relação à Europa. Na produção dentro da água, você não tem problemas de desapropriação, ou adquirir terras. Você precisa do licenciamento do Ibama, mas já estamos prontos”, afirma.

A BI Energia quer estar pronta para disputar leilões de energia offshore no fim do primeiro semestre de 2019, caso a modalidade passe a existir. 

Apoio

De acordo com o secretário adjunto de Energia, Mineração e Telecomunicações da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), Adão Linhares, a liberação da exploração dos projetos offshore é extremamente benéfica para o Ceará, por abrir mais uma possibilidade de geração de energia.

“É interessantíssimo, até porque na costa do Ceará, as condições são as melhores, então, a gente fica bem tranquilo com relação à perspectiva de também ter a possibilidade de explorar essa fonte”, diz Linhares. “Energia é visto pelo Estado como um insumo de desenvolvimento econômico”.

Competitivo

O secretário aponta que o governo, além de já oferecer subsídios para usinas de energia renovável, dará pleno apoio para promover projetos nesse segmento.

“O objetivo do Estado é ser competitivo, então, nós vamos colaborar. Tudo do projeto em solo, como acesso, facilidade via navios ou porto, e o que for possível, o Estado vai ajudar e dar apoio de infraestrutura”, garante. 

Para o consultor Fernando Ximenes, a energia eólica offshore iniciaria uma nova era para o setor no País. “O potencial offshore é gigantesco no Brasil, principalmente pela área litorânea. Aproximadamente 5 mil gigawatts (GW) de potência nominal poderá ser instalado no mar brasileiro”, destaca.

Ele lembra que todas as fontes energéticas do País somam 164 GW instalado de potência nominal.

Diário do Nordeste

 

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