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Condição física de elencos preocupa Ceará e Fortaleza após 60 dias sem jogos

18/05/2020 às 10:58:01

O período de quarentena é extremamente desafiador para os jogadores de futebol sob diversos aspectos, mas a questão física é, sem dúvidas, a mais preocupante. Por isso, Ceará e Fortaleza têm cuidados abrangentes com atenção dobrada e realizam preparação visando não somente a manutenção da condição física, mas também a diminuição do risco de lesões após a pandemia.

A última vez que o Alvinegro entrou em campo foi em 15 de março. O Tricolor, no dia anterior, 14 de março. Ambos, portanto, estão há mais de 60 dias sem jogos. Os atletas, consequentemente, tiveram suas cargas de exercícios reduzidas. Além disso, tiveram ainda 30 dias de férias, no mês de abril.

Este já é o maior período de inatividade do futebol brasileiro no século XXI. Portanto, mesmo que eles estejam cumprindo exercícios em casa, é fácil perceber que a situação física não é das melhores, o que exige atenção e cautela.

Todos os membros da comissão técnica são importantes neste momento. Preparadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, etc. Mas os fisiologistas são primordiais. São eles os responsáveis pelo acompanhamento dos treinos dos jogadores, com a função de planejar, executar e analisar todas as variáveis fisiológicas coletadas nos testes físicos e bioquímicos para sintetizar os dados.

Outra parte da função é ajudar a planejar as cargas de intensidade e volume dos treinos junto com o preparador físico, além de propor a melhor estratégia de execução neste período inédito e inesperado.

Missão árdua

Para entender como tem sido a missão dos departamentos de fisiologia dos dois principais clubes do Estado, de evoluir o condicionamento dos jogadores e também prevenir que haja riscos de lesões, sobretudo no retorno das atividades, o programa A Grande Jogada, da TV Diário, recebeu os profissionais de Ceará e Fortaleza.

Sem dúvida nenhuma, uma das maiores preocupações de uma equipe esportiva são as lesões. Isso atrapalha o esquema do treinador, o entrosamento da equipe, então, hoje, felizmente temos alguns recursos que permitem prevermos as lesões. Temos também o pessoal da fisioterapia, da nutrição apoiando…então isso pode ser minimizado”, destacou o fisiologista do Tricolor, Edson Palomares. Mesmo assim, o profissional mostra preocupação.

O que vamos vivenciar nesse próximo semestre é algo que nós nunca vivenciamos. Os jogos devem acontecer com intervalos menores, tudo vai ser uma surpresa. Temos que nos preparar ao máximo e deixar os atletas melhores condicionados nesse período para evitar que haja lesões no futuro”, ressaltou o fisiologista do Leão.
Algo que será fundamental para que isso ocorra é o bom acompanhamento das atividades desde já, como ressalta o fisiologista do Alvinegro, Giovanni Ramírez.

A nossa função, sempre, é fazer a prevenção. Esse período de treinamento online é justamente para isso, para que a gente consiga subir um pouco essa carga para, lá na frente, quando expusermos eles a treinamentos no campo, eles não sintam muito. Então esses treinamentos online eles são protetores das lesões”, garante o fisiologista alvinegro.
“Se a gente tem uma carga ótima de treino, ela acaba protegendo o atleta lá na frente. O objetivo de todo esse processo que a gente tá fazendo é pra gente minimizar essa baixa de carga e tentar fazer com que fique próximo ao trabalho de campo. Não vai ser igual, mas a gente tá tentando minimizar no dia a dia”, garante.

Metodologias

Ceará e Fortaleza possuem metodologias semelhantes de treinamentos. Porém, com algumas pequenas alterações. No caso do Tricolor, o monitoramento das atividades é diário e ocorre seis vezes na semana. Os atletas se reúnem todos num mesmo horário e, em videoconferência com o departamento físico, realizam os treinos do dia simultaneamente.

No Alvinegro, a rotina é um pouco diferente. Três vezes na semana os jogadores treinam juntos por meio da videoconferência, enquanto em outros três dias, eles seguem um cronograma específico para os exercícios remotos, cada um de acordo com sua especificidade.

Apesar das limitações, a boa aceitação dos atletas tem sido importante neste período. “Na circunstância atual, têm sido a melhor maneira de nos condicionarmos e prepararmos, para que a gente possa estar mais perto do ideal. É diferente de treinar no nosso CT, mas é um treino que tem melhorado a nossa condição física”, destacou o volante Fabinho, do Ceará.

Visão parecida com a do volante Juninho, do Fortaleza. “Eu vejo de uma maneira muito positiva, até porque a gente consegue manter contato com a comissão técnica e nossos companheiros. Esse contato é muito bom e estava com saudades disso. Apesar de ser de uma maneira virtual, já é um início. A gente tem conseguido fazer bons trabalhos e acreditamos que isso pode ajudar muito no nosso retorno”.

Diário do Nordeste

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