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Além de Hollywood… Alemanha e França lideram entre lançamentos no Brasil nos últimos 10 anos

14/02/2020/ às 23:15:52

Mais da metade das estreias no Brasil nos últimos dez anos era de filmes brasileiros ou americanos. Mas cinemas daqui têm cada vez mais produções de fora de Hollywood: os filmes de outros países cresceram de 89, em 2009, para 213 em 2019.

Nos anos 2010, os brasileiros assistiram a 1505 filmes de fora do Brasil que não vieram dos Estados Unidos.

Os países que mais estrearam filmes por aqui foram:

França: 410
Alemanha: 187
Reino Unido: 100
Bélgica: 100
Argentina: 96
Para entender o top 5, o G1 conversou com representantes de duas distribuidoras. Jean-Thomas Bernardini é diretor-geral da Imovision, a empresa que mais trouxe filmes internacionais para o Brasil. Juliana Brito é coordenadora da Pandora, a quarta com mais filmes internacionais.

“A França apoia de maneira intensa a exportação de seus filmes, fazendo o cinema francês o mais visto no mundo, após o americano. Sem contar todo o prestígio que esses países possuem na história do Cinema, principalmente França e Alemanha, considerados precursores de diversos movimentos cinematográficos”, explica Brito.

“Na Europa, há muita coprodução hoje. Itália, Espanha, Alemanha e França têm trabalhado neste estilo e por isso conseguem exportar com mais força”, conta Bernardini.

A coordenadora da Pandora explica como é o processo de escolha dos filmes que serão lançados no país: “Visitamos diversos mercados e festivais, além de manter contato com agentes de venda internacionais.”

Brito e Bernardini listaram outros critérios de escolha:

Seleção para festivais importantes;
Vitória em prêmios internacionais;
Bilheteria no país de origem;
Nomes envolvidos na direção e elenco;
Relevância do tema.

Top de bilheteria
Filmes internacionais têm subido no top 10 das bilheterias brasileiras. Durante todas as semanas de 2020, pelo menos um desses ficou entre os mais vistos no país.

“Parasita” (Coreia do Sul), “Os miseráveis” (França), “Retrato de uma jovem em chamas” (França) e “O paraíso deve ser aqui” (França, Qatar, Alemanha, Canadá, Turquia e Palestina) conseguiram entrar no top 10.

O feito impressiona ainda mais porque estavam em cartaz campeões de bilheteria como “Minha mãe é uma peça 3”, “Jumanji” e “Bad Boys para sempre”.

Entre as maiores bilheterias desde 2009, são muitas coproduções entre Canadá e Estados Unidos. Há também filmes do Reino Unido com outros países, além dos franceses.

Hablas español? Vous parlez français?
O mais bem-sucedido de língua não-inglesa é a comédia de superação francesa “Intocáveis”, que arrecadou R$ 14 milhões. Um campeão de bilheteria de Hollywood, como “Vingadores: Ultimato”, faturou cerca de R$ 370 milhões.

Veja o top 5 internacional:

“Intocáveis” (França)
“Relatos Selvagens” (Argentina)
“A bela e a fera” (França)
“Invasão Zumbi” (Coreia do Sul)
“A pele que habito” (Espanha)

O público brasileiro também costuma ser receptivo aos vencedores do Oscar de melhor filme internacional. Nos últimos anos, “O segredo dos seus olhos” (Argentina), “Amour” (França), “A grande beleza” (Itália) e “A separação” (Irã) passaram da cifra de R$ 2 milhões de bilheteria.

Onde estão os vizinhos?
Dos 19 países que compõem a América Latina com o Brasil, apenas nove tiveram filmes lançados no país desde 2009. A Argentina é a primeira da lista, com 96 produções. Mas o México, segundo país com mais estreias em cinemas brasileiros, teve apenas 19.

Argentina: 96
México: 19
Chile: 17
Uruguai: 9
Cuba: 5
Colômbia: 4
Peru: 5
Venezuela: 3
Paraguai: 1
Outros dez, a maioria da América central, não tiveram uma obra sequer lançada aqui neste período: Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá e República Dominicana.

A Argentina é o quinto país com mais filmes no Brasil. Rostos como os de Ricardo Darín, Chino Darín e Oscar Martinez são conhecidos do público e sucessos do país vizinho tiveram bons resultados por aqui.

“Relatos Selvagens” agradou tanto a parte dos cinéfilos brasileiros que conseguiu ficar mais um ano em cartaz, entre o outubro de 2014 e outubro de 2015. O Brasil foi o sétimo país que mais rendeu bilheteria ao filme no mundo: R$ 6,8 milhões.

G1

Foto: Divulgação

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